Publicidade x Jornalismo

Integração. Este é o termo que se enquadra perfeitamente no nosso perfil de comunicadores sociais, pois, em um curto espaço de tempo, deixamos de criar certas barreiras entre nós e o público consumidor, através da ampliação de novas possibilidades de entretenimento e informação. As notícias chegam com uma velocidade impressionante em diversas partes do mundo, simultaneamente, e parte dessa rapidez deve-se a esse público que passou de mero expectador para gerador de conteúdo. De fato é quase impossível imaginar, hoje, publicidade, jornalismo, relações públicas, rádio e TV caminhando em passos separados, porém o que muitos ainda não sabem, e a maioria dos profissionais dessa área já estão cansados de saber, que não é de hoje a existência do individualismo e da eterna rixa entre publicitários e jornalistas.
De um lado a “promíscua promotora da mentira”, do outro os “árduos defensores da informação verídica”. Afinal, quem nesse jogo dita as regras? Ajuda ou piora mais uma sociedade?
Há quem declare seu repúdio à publicidade, como fez em uma entrevista ao jornal Estado de São Paulo, o escritor Millôr Fernandes.
Mas, eis que perguntado sobre o envolvimento do publicitário Marcos Valério nos esquemas de corrupção que assolam o Planalto, o indignado Millôr fuzilou:
“Não é por acaso. O jornalismo é uma profissão cujo objetivo ‘filosófico’ é trazer à tona coisas que as pessoas não sabem. Tem um compromisso com a verdade. Agora, qual o objetivo ‘filosófico’ da publicidade? A mentira. É mentir sobre o sabonete, a maionese, a margarina, o político.”
E mais na a frente, conclui: “Não tenho respeito pela publicidade.”

Um julgamento meio (pré)conceituoso, pois no mundo sempre vai haver em todas as profissões os desvios de conduta. Não seria justo julgar todos e generalizar. É como cair no senso comum de achar que toda notícia veiculada é verídica. Quem garante hoje que um fato noticiado na TV não foi direcionado a privilegiar ou derrubar alguém, como já presenciamos em nossa história política recente.

A publicidade tem sim sua filosofia de anunciar e promover, assim como a propaganda tem de divulgar e questionar sobre diversos temas, difundindo ideais sem precisar mentir.
Nesse jogo nenhum é mais ou menos e nem existe mais espaço para tal individualismo. A integração entre as áreas é cada vez maior, existindo uma relação de quase dependência. O que seria dos publicitários sem essa divulgação da mídia, nos noticiários estampados nos jornais? E o que seria dos jornalistas sem a publicidade, pois é através dela que possibilita ao jornalismo ser independente, de não depender de verbas públicas e ser a principal fonte de sustento do jornal, da revista, da televisão e do rádio.
Rixas internas e a indignação atropelada de Millôr não podem terminar com essa visão tão simplista dessas duas profissões que vão muito além de rótulos do bem e do mal, e a prova disso é o público, é o consumidor que participa, que lê, busca a realidade dos fatos, sabe exigir seus direitos, é ativo, gerador de conteúdo. Seria um erro achar que em um mundo tão integrado teria espaço para tal discórdia.
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